quarta-feira, 12 de março de 2014

A História da Fotografia - parte II



Conheça parte da história da fotografia e fique por dentro do caminho que ela percorreu para chegar nas tuas mãos 
(parte II)


Por Diego Calvo
Do FL

Na primeira parte do texto, que pode ler clicando aqui, você viu alguns dos estudos que levaram à invenção da fotografia. Agora falaremos de Joseph-Nicéphore Niépce e Louis-Jacques Mandé Daguerre. Boa leitura.

Bom, na invenção da foto, existem duas pessoas que foram cruciais para a sua realização, a primeira delas é o francês Joseph-Nicéphore Niépce, ou Niépce para os íntimos. Ele foi um marco divisor na história da fotografia, tudo por causa de uma inabilidade, o fulano era péssimo desenhista.


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Rico, só trabalhava por prazer, Niépce adorava obras de arte. Para isso, aprendeu as técnicas de litogravura (uma espécie de carimbo feito em pedra) numa tentativa de reproduzir obras em papel e cataloga-las. Mas o cara descobriu que era péssimo desenhista pois, para reproduzir algo em litogravura, era preciso saber, no mínimo, desenhar.

Tendo consciência de sua limitação artística, Niépce passou a tentar fixar as imagens automaticamente, de forma que não precisasse desenhar para perpetuar os quadros.

Então decidiu fazer experimentos com a câmara escura e nitrato de prata, juntando as duas tecnologias já conhecidas (veja na História da Fotografia - parte I). Mas ele não conseguiu fixar a imagem de forma permanente (que sempre foi o grande problema). Foi aí que o sentido prático de nosso herói entrou em cena.

Desprezando a prata, Niépce partiu para algo menos nobre, o betume-da-judéia, um tipo de piche que endurecia quando em contato com a luz.

Sabendo disso, claro, só depois de ter estudado o material por quase 4 anos, Niépce, no verão de 1826, melecou uma placa de peltre (uma liga de antimônio, estanho, cobre e chumbo) com o tal betume-da-judéia. Então fechou a janela do seu quarto, fez um buraquinho nela para que passasse a luz (realizando o efeito de câmara escura), posicionou a placa no lugar certo e esperou. Esperou muito na verdade, cerca de 8 horas.

Depois disso, retirou a placa e a lavou. Como dissemos acima, o betume secava em contato com a luz, portanto, só a parte que teve contato com a luz que secou, a outra parte permaneceu mole e, com a lavagem, foi retirada. Niépice fez assim um negativo da vista da janela de seu quarto.

Daí, nosso herói mergulhou a placa em um tipo de ácido e o material corroeu somente a parte em que o betume-da-judéia fora retirado. Quando o piche seco foi destacado, Niépce pode observa a vista da sua janela gravada, permanentemente, na placa. Eis a primeira fotografia!

A simplicidade de Niépce, e a notícia da primeira fotografia feita, aguçou a curiosidade de um cara que já vinha fazendo experimentos do tipo, mas sem sucesso. Agora entra em cena o segundo nome da criação da fotografia, o grande Louis-Jacques Mandé Daguerre.

Bem mais novo que Niépce, Daguerre estava com gás total para dar seguimento aos estudos e se aprofundar mais na pesquisa. Foi em 1829 que assinaram uma parceria de estudos, um passaria para o outro suas descobertas desde então e do ponto em diante, ou seja, dividiriam informação para concretizar o trabalho. Ainda assim, cada um seguiria independente seus experimentos.

Niépce insistia em usar o seu betume-da-judeia, já Daguerre seguia o caminho da química, propriamente dita, na tentativa de diminuir o tempo de exposição (oito horas era um período impraticável). Porém, ambos usavam a câmara escura.

Infelizmente Niépce bateu as botas em 1833, no meio de suas pesquisas, mas, claro, entrou definitivamente para a história da fotografia naquele verão de 1826.

Daguerre deu seguimento aos estudos do sócio e em 19 de agosto de 1839, o francês anunciou um processo que fixaria a fotografia em uma chapa revestida de prata, o aclamado Daguerreótipo.

O artifício era muito mais complexo que o betume-da-judeia. Ele pegava uma chapa revestida de prata exposta em vapores de iodo (esta chapa foi invenção de Niépce), desta maneira, formava uma camada de iodeto de prata sobre si. Daí, ele colocava numa câmara escura e a expunha à luz. Então, a placa era revelada em vapor de mercúrio aquecido, este aderia onde havia a incidência da luz mostrando as imagens. Para fixar (afinal esta era a questão) ele usava uma solução de tiossulfato de sódio.

Complicado? Confesso que até eu me perco com este monte de química. O processo todo permitia a reduzir o tempo de exposição para incríveis 30 minutos (mais ou menos).

O daguerreótipo não permitia cópias, era uma chapa apenas. No entanto, o sistema de Daguerre se difundiu pelo mundo, que passou a considerá-lo o pai da fotografia.

Claro que o que usamos hoje (e nem estou falando do digital) é bem diferente do projetado por Daguerre e Niépce. Isso se deve ao continuo estudo de aprimoramento desta arte, como fez um tal de William Henry Fox Talbot, que lançou, em 1841, o calótipo, um processo mais eficiente de fotografar.

Depois vieram outros como o George Eastman, fundador da Kodak, primeira empresa a usar filmes em rolo. Mas esta outra história da fotografia, meu caro, fica para outro post.
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