terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O instante decisivo de Bresson


O fotógrafo Henri Cartier-Bresson parou o movimento do mundo em suas fotografias



--> Por Diego Calvo

Tudo no universo está em constante agitação. Os quarks, átomos, moléculas, células, ondas de radiação, os seres constituídos de complexos sistemas vivos, os satélites, os planetas e as estrelas. Até mesmo a mais gigantesca das rochas está em continuo movimento. Diante deste aparente caos, em dado momento tudo se alinha e cria uma harmônica e simétrica imagem.

A este momento único, o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson chamou de “O instante decisivo”. Bresson passou a vida correndo atrás deste instante que, para ele, seria a foto perfeita.

A arte de registrar as coisas data de nosso passado mais remoto. Nas cavernas, nós dizíamos como foi o dia, o que caçamos e como caçamos. Já nas idades dos mitos, registrávamos cenas de batalhas heróicas. Na época medieval, a pintura sacra se misturava com os deuses pagãos, relatando nossa fé. Tudo, no entanto, era demasiadamente estático.


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Com o advento da fotografia (para saber mais da história clique aqui), os registros passaram a ser muito mais rápidos, mesmo assim, estáticos. Bresson, que antes de celebre fotógrafo estudava artes plásticas, vislumbrou um algo onde ele conseguia paralisar o universo em movimento.

Com a herança da geométrica de seu professor de pintura, o cubista André Lothe, Henri se dedicou a encontrar o momento certo para clicar e este certo seria uma harmonia de retas e curvas incluindo, claro, a figura humana, estatizando, geralmente, momentos de puro movimento.

Está complicado? Não entendeu? Irei explicar. Visualize uma praça onde existam pombos ciscando atrás de comida. Um velho está sentado em um banco prestes a jogar milho as aves. Mas, no local da cena, há um problema que a prefeitura está tentando resolver e que está incomodando os habitantes vizinhos, os cocôs destes animais que infestam e enfeiam os parapeitos das casas. O velho enfia a mão no saco de milho e retira um punhado. Nisso, um homem está passando atrás da cena olha com cara de raiva enquanto o velho estica o braço com força alçando os milhos ao ar. No passo do homem atrás, você clica.

A imagem que captou resume todo o problema além de trazer uma linda composição. O velho com braços esticados jogando o milho, o homem com as pernas em ‘V’ invertido olhando com raiva para o velho e os pombos sendo alimentados. Ou seja, você mostrou o problema e a ira dos moradores em um enquadramento no instante decisivo, paralisando o mundo em pleno curso de suas ações.

“Para mim, a fotografia é o reconhecimento simultâneo, numa fração de segundo, da significância de um acontecimento, bem como de uma organização precisa de formas que dão a esse acontecimento sua expressão adequada”, disse.

Perder este instante é comum, por isso é bom ficar atento, mas como Bresson mesmo falou, “para os fotógrafos, o que passou, passou para sempre”.


Futebol, o instante do chute.

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