terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Dia 2 de setembro (02/09) é o dia do Repórter Fotográfico

Prêmio Pulitzer de 1972, foto de Nick Ut sintetizou a Guerra do Vietnã (1959-1975)


Fotojornalismo mudou a maneira de ler jornal; parte da história do Século XX só é conhecida pelas lentes desses profissionais 



Por Alexandre de Paulo e Diego Calvo
Texto originalmente publicado no Diário de Guarulhos

Na guerra, na fome, nas grandes tragédias, como também nas grandes conquistas e confraternizações dos povos, lá estão eles, sempre prontos para registrar e mostrar ao mundo a realidade dos fatos.

A escolha do dia 2 de setembro como o dia do repórter fotográfico se perde na noite dos tempos. O fato mais relevante ocorrido neste dia, especificamente em 1945, fora a assinatura de rendição dos japoneses, membros do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) reconhecendo a vitória das Tropas Aliadas (Estados Unidos, Inglaterra e Rússia), fato esse que pôs fim à Segunda Guerra Mundial, tema privilegiado e até hoje cobiçado por fotógrafos e jornalistas do mundo inteiro. Aliás, a guerra da Criméia (1853-1856) entre o Império Russo e o Reino Unido, fotografada pelo inglês Roger Fenton, é considerada a primeira cobertura sobre este tema.

A existência de tal profissão só foi possível graças à invenção da fotografia pelo francês Joseph Nicéphore Niépce, que em 1826 conseguiu registrar a primeira foto usando um processo que batizou de Heliografia.

O também francês e contemporâneo de Niépce, Louis-Jacques-Mandé Daguerre, se interessou pelos estudos do compatriota e com ele efetuou vários experimentos. Após a morte do inventor da Fotografia, Daguerre apresentou seu protótipo à Academia Francesa de Ciências e Belas Artes, em Paris, no dia 19 de agosto de 1839, chamando-o de Daguereótipo, fundando oficialmente a arte de fotografar, rapidamente difundida pelo mundo.

Na Vila de São Carlos, atual Campinas, outro francês, radicado no Brasil, Hercules Florence (1804-1879), já fazia experimentos e cunhou o termo Poligrafia, em 1832, sem manter nenhum contato com Niépce e Daguerre.

Outro processo muito difundido foi o Calótipo, inventado pelo cientista inglês William Henry Fox-Talbot, registrado em 1841 na Royal Society em Londres, que usava um papel como negativo.
A fotografia registrava e perpetuava certos instantes, no entanto, era mais usada para retratos de família. Não demorou muito até surgir a ideia de sanar a curiosidade do leitor mandando fotógrafos a lugares remotos e perigosos. O primeiro deles foi o britânico Roger Fenton. Financiado pelo Império Britânico, Fenton cobriu a guerra da Criméia, com a condição de não mostrar mortos e nem feridos, o que aponta a ação da censura ao trabalho jornalístico na época.

No entanto, a fotografia só pode ser impressa a partir da invenção do sistema de retícula, que decompõe a fotografia em pontos de tamanho variável, permitindo a impressão do meio-tom. A utilização do meio-tom generaliza-se a partir de 4 de Março de 1880, dia em que o The New York Daily Graphic publica a sua primeira foto reproduzida através desse processo. A imagem, de autoria de Stephen Horgan, foi intitulada “A Scene in Shanty Town” (uma cena de Shanty Town).

Um dos grandes problemas enfrentados pelos retratistas era carregar o desengonçado e pesado equipamento, além dos produtos químicos para preparar as chapas de cobre, posteriormente de vidro, e efetuar a revelação da imagem. Tendo isso em mente, o americano George Eastman fundou em 1881 a Eastman Dry Plate Company, dedicando-se a esperimentos para a facilitação da fotografia. Em 1888, sua empresa lança a primeira máquina fotográfica portátil chamada Kodak, que já vinham com rolo de filme de 100 poses. O sucesso foi tanto que em 1892 a compania passou a se chamar Eastman Kodak Company, adotando o nome da câmera e o seguinte slogan: “Aperte o botão que nós fazemos o resto”.

A partir disso, a fotografia foi cada vez mais popularizada.

O método adotado pelo fotojornalismo moderno, que consiste em registrar os acontecimentos sem interferência do fotógrafo e sem ser percebido, trazendo assim espontaneidade e realismo às fotos, deve-se ao alemão de origem judaica, Eric Salomon, que publicou em 1931 o livro intitulado “Contemporâneos célebres fotografados em momentos inesperados”. Solomon havia fundado um ano antes a primeira agência fotográfica, chamada Dephot (Deutsche Photo), começando aí as lutas pelos direitos autorais.

Em 1947, o imigrante húngaro exilado na França, Robert Capa, cansado de enfrentar problemas com os jornais e algumas agências que sempre pediam exclusividade nos trabalhos e não davam a liberdade do fotógrafo ter autonomia em suas pautas, teve a ideia de criar uma agência de fotografia na qual o profissional fosse livre para criar, além de ser o dono do próprio negativo, o que não existia na imprensa da época. Capa chamou os amigos Henri Cartier-Bresson, George Rodger e David Seymor e fundaram a mítica e mais carismática dentre as agências, a Magnum Photos.

No passar dos anos, o fotojornalismo encontrou expressão nos olhos de diversos repórteres fotográficos. Estes registraram, desde guerras, até simples pronunciamentos políticos. Os rolos de filme, usados por décadas, foram substituídos pelos atuais cartões de memória das câmeras digitais. A comunicação ficou muito mais rápida, quase em tempo real, devido à ampla utilização da internet.

Graças aos repórteres fotográficos podemos hoje contemplar uma página de jornal, revista ou acessar notícias na internet para ver o que está acontecendo em qualquer parte do mundo. Porém, não é fácil registrar fome, guerras e tragédias colossais sem dedicação, ética e uma profunda paixão por contar histórias. Por isso esta profissão merecia um dia, e este é 2 de setembro (02/08), dia do repórter fotográfico.
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